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Jusbrasil - Política
12 de dezembro de 2017

O auto-retrato pantaneiro de Manoel de Barros

Publicado por Tribuna da Imprensa (extraído pelo Jusbrasil) - 4 anos atrás

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O advogado, fazendeiro e poeta matogrossense Manoel Wenceslau Leite de Barros mostra-nos que a natureza é sua fonte de inspiração, o Pantanal é a sua poesia, uma vez que para criar seus versos, parte de experiências vividas, transformando-as a partir da sua imaginação em poemas, entre os quais “Auto-Retrato Falado” merece destaque na sua obra literária.

Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.

Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.

Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,

aves, pessoas humildes, árvores e rios.

Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar

entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto

meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou

abençoado a garças.

Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que

fui salvo.

Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.

Os bois me recriam.

Agora eu sou tão ocaso!

Estou na categoria de sofrer da moral porque só faço

coisas inúteis.

No meu morrer tem uma dor de árvore.

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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